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À meia-noite, perto do fim de agosto, penso na tristeza das folhas que caem dos calendários incessantemente. Sinto-me a árvore dos calendários.
Cada dia, um filho meu, que se perde para sempre, deixa-me a pergunta: se é órfão aquele que perde o pai, se é viúvo aquele que perdeu a mulher, como se chama esse que perdeu um filho?, e aquele que perde o tempo? E se sou eu mesmo o tempo, como devo chamar-me se me perco a mim mesmo?
O dia e a noite, não a segunda nem a terça-feira, nem agosto ou setembro; o dia e a noite são a única medida da nossa duração. Existir é durar, abrir os olhos e fechá-los.
Nestas horas, todas as noites, para sempre, sou aquele que perdeu o dia. (Ainda que sinta que, tal como o fruto sobe pelos galhos da duração, vai subindo, no coração destas horas, o amanhecer.)- Jaime Sabines
in Uno es el poeta (Antología), Visor
segunda-feira, março 12, 2012
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