(...)Ensinou-me a voar sobre a noite das palavras, longe do aborrecimento dos navios ancorados. Não é o glaciar que nos importa mas o que o torna possível indefinidamente, a sua verosimilhança solitária. Liguei-me a ódios entusiásticos que ajudei a vencer e depois abandonei. (Basta fechar os olhos para já não se ser reconhecido.) Retirei às coisas a ilusão que causam para se protegerem de nós e deixei-lhes a parte que nos concedem. Vi que nunca haveria mulher para mim na MINHA cidade. O frenesim das pândegas, simbolicamente, justificaria a minha boa vontade.
Atravessei deste modo a idade da solidão até à morada seguinte d'O HOMEM VIOLETA. Mas ele só dispunha do triste estado civil das suas prisões, da sua experiência muda de perseguido e nós, nós só tínhamos a sua descrição de evadido.
- René Char
(Tradução de Yvette K. Centeno)
in Este fanático das nuvens, Cotovia
quinta-feira, março 08, 2012
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poesia de fora
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