Os homens de hoje querem que o poema seja à imagem da sua vida, feita de tão pouca consideração, tão pouco espaço e ardendo de intolerância.
Porque já não lhes é possível agir com elevação, neste desejo fatal de se deixar destruir pelo seu semelhante, porque a sua riqueza inerte os trava e os prende, os homens de hoje em dia, com o instinto enfraquecido, perdem, ainda que continuando a viver, até mesmo a poeira do seu nome.
Nascido do apelo do devir e da angústia da retenção, o poema, elevando-se do seu poço de lama e de estrelas, testemunhará, quase em silêncio, que nada havia nele que de verdade não existisse noutro lado, nesse mundo rebelde e solitário das contradições.
Porque já não lhes é possível agir com elevação, neste desejo fatal de se deixar destruir pelo seu semelhante, porque a sua riqueza inerte os trava e os prende, os homens de hoje em dia, com o instinto enfraquecido, perdem, ainda que continuando a viver, até mesmo a poeira do seu nome.
Nascido do apelo do devir e da angústia da retenção, o poema, elevando-se do seu poço de lama e de estrelas, testemunhará, quase em silêncio, que nada havia nele que de verdade não existisse noutro lado, nesse mundo rebelde e solitário das contradições.
- René Char
(Tradução de Yvette K. Centeno)
in Este fanático das nuvens, Cotovia
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