Era feriado, não tinha que ir trabalhar. E o trabalho era a coisa menos triste que tinha. Pensou num banho frio, talvez. A mulher saiu da casa de banho nua, com algumas manchas de sangue que não tivera o cuidado de limpar.
- Alguma vez foste pura? - perguntou.
- Tu é que vês os jogos de futebol depois de fazeres amor comigo.
Se lhe tivesse dado carinho nessas alturas, teria sido mais um dos seus amantes e nunca seu marido. E talvez se tivesse sentido ainda mais sozinho com a proximidade dos corpos própria desses momentos. Entraram no carro. Foram almoçar aos leitões. As pessoas eram poucas nas ruas e os carros moviam-se devagar. Pareceu-lhe escassa e lenta a vida, nos dias em que não está presa, excepto nos restaurantes. A sua mulher estava contente. Perguntou-se porque a teria sem a ter. Se ela fosse uma garrafa de vinho poderia bebê-la, esgotá-la rapidamente. Ela duraria apenas o tempo suficiente para não sentir mais sede.
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