Saiu do trabalho passeando a sua pasta na mão. É material de qualidade, diz ele aos colegas. Nesse dia teve que voltar para casa de metro. Entrou na carruagem, hora de ponta. Sentiu o cheiro porco e quente das pessoas inconscientes. E não era insuportável. Era incómodo, concordou. Mas não mais do que o cheiro em que se deitava todos os dias. A mistura de odores dos outros trinta homens que todos os meses faziam uso do seu colchão e da sua mulher era de tal ordem que já não se distinguia aquele que teria sido o primeiro a marcar o território.
Quando chegou a casa, sentou-se sem acender a luz, sem largar a pasta. Pensou quem seria que odiava mais. A mulher? Por ser mais suja do que uma multidão apertada no calor. Os passageiros? Por serem inconscientes da sua nojice. Não soube responder. Limitou-se a gritar para o peito, tentando abafá-lo. Consolou-se. Tinha uma pasta elegante para mostrar aos colegas.
Quando chegou a casa, sentou-se sem acender a luz, sem largar a pasta. Pensou quem seria que odiava mais. A mulher? Por ser mais suja do que uma multidão apertada no calor. Os passageiros? Por serem inconscientes da sua nojice. Não soube responder. Limitou-se a gritar para o peito, tentando abafá-lo. Consolou-se. Tinha uma pasta elegante para mostrar aos colegas.
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